Como Lidar com a Recusa do Parceiro na Terapia

Nem sempre os dois estão prontos ao mesmo tempo

Em muitos relacionamentos, um dos parceiros sente a urgência de buscar ajuda terapêutica.
Enquanto isso, o outro resiste por medo, por não acreditar na terapia, por negação do problema ou por simples exaustão.

Essa diferença de postura pode gerar ainda mais conflitos:

  • “Parece que só eu me importo.”
  • “Não adianta fazer terapia sozinha.”
  • “Se ele/ela não mudar, nada muda.”

Mas será mesmo?

O que está por trás da resistência?

Antes de julgar, é importante compreender:

A recusa de ir à terapia nem sempre é desinteresse.
Pode ser medo de se expor, histórico familiar, ou dificuldade em lidar com a dor emocional.

Muitos evitam a terapia porque:

  • Foram ensinados a não falar sobre sentimentos.
  • Acreditam que “casal que se ama resolve sozinho”.
  • Têm medo do que pode vir à tona.

Dado importante: Segundo pesquisa do IBGE com o Instituto Locomotiva (2021), mais de 70% das pessoas nunca fizeram terapia e a maioria alega “não ver necessidade” até que a dor se torne insuportável.

A mudança de um já começa a transformar o sistema

Na Terapia Sistêmica, entendemos que a transformação de um membro já impacta todo o sistema.
Ou seja: se você está disposto(a) a buscar ajuda, isso já é um movimento potente.

Mesmo que o outro não participe:

  • Você pode aprender novas formas de comunicar.
  • Pode reorganizar seus limites.
  • Pode resgatar sua própria escuta interna.
  • Pode mudar o padrão do ciclo relacional.

“Mas vou fazer terapia sozinha?” Sim. E isso faz diferença.

Buscar terapia individual quando o parceiro se recusa é uma forma de:

  • Cuidar de você
  • Reduzir a culpa e o desgaste emocional
  • Reavaliar suas necessidades e posicionamento
  • Inspirar, com leveza, a mudança no outro

Mudanças autênticas inspiram mais do que cobranças.

O que fazer enquanto o outro resiste?

  • Não force: convites forçados geram ainda mais bloqueio.
  • Compartilhe sua experiência com naturalidade, sem expectativa.
  • Mostre os benefícios da terapia através da sua própria mudança.
  • Evite transformar a recusa dele(a) em mais uma briga.
  • Quando possível, ofereça informações, vídeos, posts que quebrem o tabu da terapia.

Às vezes, o outro só precisa ver que existe um caminho e que esse caminho é seguro.

Um convite para recomeçar a dois ou a partir de si.

Talvez vocês ainda se amem, mas estejam exaustos.
Talvez o silêncio já tenha virado hábito.
Talvez o medo esteja gritando mais alto que o amor.

Buscar ajuda é um ato de cuidado. Mesmo que você comece sozinho.

Se você está vivendo esse impasse, saiba que não está sozinha(o). Como terapeuta sistêmica, acompanho casais, famílias e indivíduos que desejam reconstruir pontes, mesmo quando o outro ainda não está pronto para atravessar.

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