E quando o outro se cala, interrompe ou simplesmente se ausenta emocionalmente?
“Parece que eu falo sozinha.”
Essa frase é muito mais do que um desabafo. Ela expressa a dor de quem tenta, repetidamente, manter o diálogo, mas sente que o outro não está disposto a se conectar.
Nos atendimentos de terapia de casal, essa queixa é frequente. Um dos parceiros se esforça para dialogar, expressar, resolver. O outro evita, silencia ou responde superficialmente. Com o tempo, o relacionamento entra em desequilíbrio, e o vínculo vai se desgastando.
O silêncio que machuca mais do que gritos
Quando a comunicação vira um monólogo, não há troca e sim um cansaço, frustração e sensação de abandono.
Quem fala se sente ignorado. Quem silencia, muitas vezes, não sabe como colocar em palavras o que sente. Em muitos casos, o silêncio é uma forma de defesa, mas que acaba se tornando um ataque para o outro.
Exemplos comuns desse desequilíbrio:
- Um parceiro que fala dos próprios sentimentos e não recebe acolhimento.
- Um que busca resolver os conflitos, enquanto o outro apenas se fecha.
- Um que tenta retomar a intimidade, e o outro muda de assunto.
- Um que manda longas mensagens… e o outro responde com “ok”.
Comunicação não é só falar é construir espaço seguro
Falar demais ou calar demais pode ser igualmente problemático. O desequilíbrio surge quando um tenta manter o diálogo vivo, enquanto o outro se desliga emocionalmente.
E isso não significa necessariamente desinteresse. Às vezes, há traumas familiares, dificuldades de expressão, medo de confronto, ou até exaustão emocional envolvida.
Por isso, é tão importante entender:
Comunicação saudável não é sobre quem fala mais, mas sobre como cada um se sente ouvido e compreendido.
Sinais de alerta no desequilíbrio comunicacional
- Um dos dois sente que precisa repetir as mesmas coisas o tempo todo.
- Há sensação de solidão, mesmo estando juntos.
- Os conflitos nunca se resolvem, apenas se acumulam.
- Existe um padrão: um fala, o outro evita ou reage de forma defensiva.
- Não há espaço para vulnerabilidade, inevitavelmente existem muitas cobranças ou silêncio.
Sim, é possível recuperar o diálogo
Sim, é possível, desde que haja disposição mútua para reconstruir pontes, mesmo que o início dessa jornada parta de quem ainda tem voz ativa.
A terapia de casal oferece um espaço neutro e seguro para:
- Desconstruir padrões de comunicação tóxica ou silenciosa
- Explorar a origem desse desequilíbrio
- Reensinar o casal a se ouvir de forma empática
- Equilibrar necessidades emocionais diferentes
- Aprender a lidar com os conflitos de forma construtiva
Talvez vocês ainda se amem. Mas aprenderam a se calar onde deveriam se encontrar.
Nem sempre o fim de um diálogo é o fim da relação. Às vezes, é apenas o sinal de que algo precisa ser revisto.
O silêncio pode estar gritando por ajuda. E a fala isolada pode estar pedindo companhia.
Se esse texto ressoou com a sua realidade, talvez seja hora de olhar para isso com mais profundidade.
A mudança não começa quando os dois estão prontos. Ela começa quando um decide que não quer continuar no automático.
Quer dar um novo passo? Estou aqui para ajudar.








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